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terça-feira, 16 de outubro de 2018

Como apresentar os alimentos às crianças

Quando se trata de Introdução Alimentar, existem diversas dúvidas sobre como, quando, e quais alimentos apresentar à criança, pois existem diferentes métodos, diversas fases pelas quais o bebê passa, entre outros fatores, que influenciam esse período de aprendizagem. Vale a pena entender um pouco para proporcionar uma experiência enriquecedora e tranquila para a família.

Segundo a doutora Priscila Moraes, médica pediatra e alergista da Docway, o recomendado é que as crianças a partir dos 6 meses de idade comecem a ingerir alimentos sólidos. Nessa idade normalmente a criança já consegue se sentar sozinha, pegar objetos e leva-los a boca. Por isso, é importante que haja firmeza do tronco e que tenha estabilidade para se concentrar naquilo que está em sua mão, para poder realizar o movimento de trazer o alimento até a boca. Além disso, é por volta dos 6 meses que o intestino está mais maduro para receber o alimento sólido, fazendo uma melhor digestão e evitando a constipação.

Em relação aos tipos de alimento naturais que podem ser introduzidos à dieta, não há nenhuma restrição, “diferente do que se pensava antigamente, ovo deve ser oferecido desde o início da introdução alimentar, pois atrasar seu consumo pode favorecer o aparecimento de alergias, o mesmo serve para o peixe, que pode ser oferecido nos primeiros meses” explica a doutora. Já referente aos preparos industrializados, doces e temperos prontos, há ressalvas. O ideal seria não permitir que a criança os ingerisse até completar dois anos.

Grupos de alimentos sugeridos:

1. Cereais/tubérculos/raízes, como arroz, milho, batata, inhame e mandioquinha (carboidratos complexos);
2. Carnes em geral (proteínas de alto valor biológico, ferro, zinco, cobre);
3. Leguminosas, que são grãos de vagens, como feijão, grão de bico, ervilha, lentilha e soja (proteínas de baixo valor biológico, ferro, fibras e vitaminas);
4. Legumes e verduras (vitaminas, minerais e fibras).

Existem três métodos para fazer a introdução alimentar, são eles:

Tradicional: esse método é feito com a já conhecida papinha, oferecida com colher, amassada, e a partir dos 8 meses de idade da criança, servida com pequenos pedaços. Nesse método, os alimentos devem ser triturados com um garfo, e as carnes podem ser desfiadas ou moídas, sempre respeitando a capacidade de mastigação do bebê.

BLW (Baby-Led Weaning): consiste na oferta de alimentos em pedaços, tiras ou bastões. Em geral, não inclui alimentação com a colher e nenhum método de adaptação de consistência para preparar a refeição, como amassar, triturar ou desfiar. A abordagem encoraja os pais a confiarem na capacidade da criança de se alimentar sozinha, sem interferências.

Participativa: nesse caso, o bebê é o agente ativo do processo, porque ele mesmo escolhe o alimento que vai comer. Porém, é assistido pelos pais, que intermediam as preferências dele e o ajudam enquanto ele não tem habilidade ou eficiência na ingestão adequada de nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.

Não há um método que seja mais indicado que o outro, seria interessante uma mescla entre eles, “o ideal é que o lactente receba os alimentos amassados oferecidos na colher, mas também experimente com as mãos, para explorar as diferentes texturas dos alimentos, como parte natural de seu aprendizado sensório motor”, sugere Priscila.

Finalmente, a médica dá algumas dicas para tornar a introdução alimentar algo prazeroso e divertido:

1. Faça um prato colorido, a criança precisa identificar o que é cada alimento, conhecer sua textura, seu cheiro e seu sabor;
2. Insista, mesmo que a criança rejeite alguns alimentos, não desista, é preciso provar várias vezes o mesmo alimento, mesmo que não goste no começo;
3. Não use liquidificador nem peneira. Com liquidificador, as fibras são rompidas e aumenta a chance de constipação intestinal. A peneira faz com que o alimento perca sua consistência e isso facilita a seletividade alimentar mais tarde;
4. Não dê açúcar e industrializados nos primeiros anos de vida, especialmente até os 2 anos. O paladar da criança vicia no açúcar e nos condimentos, aumentando risco de obesidade e desnutrição funcional;
5. Evite eletrônicos durante as refeições. A distração faz com que a criança perca o apetite e não preste atenção no que está comendo;
6. Faça a introdução alimentar algo divertido. Não force, não exija que a criança coma tudo, seja flexível.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Nutricionista digital: chega ao Brasil app fenômeno na Europa que usa inteligência artificial para programar dietas personalizadas

Seguir a risca a dieta imposta pelo nutricionista é uma tarefa reservada apenas aos mais disciplinados. Mas imagine se ele seguisse você 24 horas, preparasse as receitas de todas as refeições, te ensinasse a cozinhar, exigisse fotos dos pratos para checar se está comendo certo, indicasse a lista de compras para o mercado e ainda te ensinasse a comer melhor quando você está fora de casa? Essa é a proposta do Freeletics Nutrition, uma plataforma de inteligência artificial que acaba de chegar ao Brasil com a proposta de ser um nutricionista de bolso.
 

Para começar a usar o aplicativo, é necessário passar por uma verdadeira  consulta com a plataforma, que inclui uma série de perguntas e cruzamento de dados que vão ajudar a definir o real objetivo da mudança na dieta -- pode ser desde simplesmente perder peso, ganhar massa muscular ou até um acompanhamento para criar um estilo de vida mais saudável.

Com o foco definido, o aplicativo constrói o cardápio diário para todas as refeições e lanches durante o dia, cada um deles acompanhada de receita e modo de preparo explicados nos mínimos detalhes. São mais de trezentas receitas, todas com foco na simplicidade (em média, exigem 15 minutos de preparo) e sabores do agrado de cada usuário. Não tem algum dos ingredientes? Você pode pedir uma substituição de acordo com os itens que tem em casa ou pedir para a plataforma incluí-lo na sua lista de supermercado. “A proposta é oferecer uma alternativa para quem quer construir um estilo de vida mais saudável, mas não consegue fazer sem um estímulo e acompanhamento diário”, explica Gabriel Toledo de Oliveira, diretor geral do Freeletics no Brasil.


A cada receita executada e refeição feita, o aplicativo pede uma foto para reconhecer os ingredientes e registrar o desenvolvimento real do planejamento. A cada feedback que você dá para o dispositivo de inteligência artificial, mais ele aprende sobre os seus gostos e hábitos e usa essas informações para adaptar as receitas. Mas esse apoio vai além da rotina normal, o Freeletics Nutrition também ajuda na alimentação fora de casa. Vai ao bar com os amigos? O app te ajuda a escolher a combinação de opções que vai te manter nos trilhos da dieta.

Um dos diferenciais que fez o Freeletics Nutrition atingir a marca de 3 milhões de usuários na Europa nos primeiros meses de funcionamento é a integração com as plataformas de exercícios da marca, que também utilizam a tecnologia de inteligência artificial para preparar as rotinas de treino. Se o usuário utilizar o Freeletics Bodyweight, que propõe treinos de alta intensidade apenas com o peso corporal; o Gym, uma espécie de personal trainer para musculação; ou o Running, que atua como um técnico para corridas, é possível integrá-los com o Freeletics Nutrition, que irá propor lanches pré e pós treino e adaptar as receitas do dia a dia de acordo com a evolução do desempenho do atleta nos exercícios.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Organis prevê 2018 como um ano desafiador para setor de orgânicos

Na avaliação do Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), o setor de orgânicos deverá registrar crescimento em 2017, tanto no mercado interno como no mercado externo, que continuará aquecido com crescimento de dois dígitos nos Estados Unidos e em torno de 6% na Europa.  Em 2018, o Brasil terá crescimento em torno de 20% de novos produtos e caso a cadeia animal se desenvolva poderá chegar a 30%.

“Passamos mais um ano com um setor que cresce pela forte demanda por produtos saudáveis e sustentáveis, maior percepção de produtos lançados com maior valor agregado e de novos empreendedores, que aumenta a cada dia. O Brasil ainda não dispõe de dados estatísticos de área certificada e de produção, mas apenas de unidades produtivas registradas, e este número vem crescendo a cada ano. Atualmente o MAPA lista cerca de 17.000 unidades produtivas cadastradas, número que aumentou cerca de 20% do ano passado. Verificamos, também, interesse de novos investidores e fundos de investimentos nacionais e internacionais buscando valores e retornos que tenham a sustentabilidade como foco para negócios de médio e longo prazo”, explica Ming Liu, diretor do Organis.

Segundo a entidade, o mercado externo continua a pleno crescimento e a previsão é de fechar 2017 perto de US$150 milhões de dólares em exportações, no grupo de 50 associados do Organis. “As empresas associados ao ORGANIS representam já faturamento de cerca de R$ 2,5 bilhões de reais, sendo que grande parte tem em sua linha produtos convencionais e orgânicos, mas a cada ano a fatia de produtos orgânicos vem crescendo a taxas mais altas do que as linhas de produtos convencionais”, explica Ming Liu.

No Brasil, além dos orgânicos, os segmentos de produtos naturais e de nutracênicos têm crescido muito, como explica o diretor do Organis: “Certamente os orgânicos estão dentro do radar de qualquer consumidor mais consciente, mas não é o único segmento. Atualmente conceitos como produtos naturais, sustentáveis, funcionais, e os produtos livres de glúten, lactose, transgênicos, enfim, são “bandeiras” que qualquer empresa no segmento de alimentação tem que estar presente. Não sobreviverão empresas que não esteja em compasso com o que o consumidor procura”.

Um ponto muito positivo para os negócios é que os fundos de investimento têm se aproximado do setor. “Os orgânicos e naturais são a bola da vez. Há, porém, uma situação diferenciada: os fundos sempre procuram empresas que estejam na faixa de faturamento mínimo de R$20 milhões/ano, que limita a poucas empresas que podem ser compradas ou investidas. A maioria das empresas são muito pequenas e ainda em estágio incubatório, há ainda muita informalidade e falta de escala. Esperamos que este processo entre na nossa realidade, pois grandes empreendedores, com ideias inovadoras, estão em um nível de faturamento abaixo de R$10 milhões/ano. Cabe a nós do setor orientar para que olhem para empresas menores, pois o mercado não é o mesmo nos países mais desenvolvidos e que tem um processo regulatório de mais tempo”, considera Ming Liu.

Para o Organis, a entrada das multinacionais no mercado de orgânicos no Brasil é positiva e segue a mesma tendência dos mercados mais maduros, porém os alvos de fusões são bem menores e em grande parte micro e pequenos empreendedores. “Para o setor acho que é importante a entrada de empresas maiores, pois este será um fator para aumentar a escala na cadeia produtiva”.

E os desafios para 2018? Ming Liu acredita que organizar o setor continua sendo imprescindível: “Precisamos que haja mais união no setor em suas cadeias primárias e secundárias e de serviços. Precisamos ter estatísticas primárias de produção, conhecer quem são os atuantes na produção, comercialização e processamento desse mercado, em tamanho e segmento, e como podemos criar políticas públicas e estratégias de desenvolvimento da cadeia. O setor já tem um grande número de formadores de opinião que disseminam os valores e conceitos, como: nutricionistas, médicos, ambientalistas, artistas, esportistas, enfim, formadores de opinião relevantes. Precisamos também atuar mais próximo ao consumidor. Educar, educar e educar. Os produtos orgânicos já estão sendo comercializados por quatro principais canais de acesso ao mercado: as tradicionais redes de varejo convencional, que a cada dia aumenta a oferta de produtos de forma segmentada ou quando o produto é industrializado junto com produtos convencionais; lojas especializadas individuais ou na forma de franquias de lojas de produtos naturais e orgânicos; venda direta por feira (há mais de 600 feiras de produtos orgânicos no país) e, por último, a modalidade de entrega de cestas a domicílio ou venda por internet”.

O Organis, como entidade representativa do setor, fecha o ano com saldo positivo: realizou a primeira pesquisa do perfil do consumidor orgânico no Brasil, identificou quais são as cidades mais conscientes para o consumo e como percebem o movimento orgânico sob ponto de vista mercadológico. A entidade tem representação no Ministério da Agricultura, no CONSEA, além de encabeçarações comerciais e institucionais em nível nacional.